Eu prefiro muito mais, um whiskey entre um disco e outro. Um filme velho num colchão no chão junto de cobertas de lã. Ler livros com páginas amarelas à luz de velas. Admirar estrelas enquanto alguém segura a sua mão. Adoçar um dia amargo com um simples sorriso.

Mas quem disse que o fato de eu preferir torna tudo isso importante?

Nunca vou entender.

Me peguei pensando em como a vida é estranha aos meus olhos, e em como eu enxergo as pessoas como alienígenas que são incapazes de sentirem o que eu posso sentir. É incrível como o tempo sobrevoa os meus pesadelos, como ele assombra cada parte de mim, e me faz tremer, às vezes sem motivo, às vezes com, às vezes nem eu sei. Eu nem sei se devia, só sei que olho para frente, e não vejo o que está acontecendo agora, na verdade, tanta coisa ruím anda acontecendo, que mais parece que o “olhar pra frente” chega a ser perda de tempo. Não consigo entender porque o mundo foi chegar nesse ponto, mas nem pretendo entender.

A verdade é que eu queria que os momentos em que eu comia brigadeiro vendo “Coragem, o cão covarde” com o meu cachorrinho de pelúcia, tivessem parado ali, naquele exato momento. Não existia medo, problema, nem nada parecido, só existia um sorriso bobo de canto de boca, e uns cochilos entre um comercial e outro.

Eu não sei qual é o nível da minha saúde mental, e nem faço questão de que seja bom, eu prefiro continuar na minha, abominando pessoas e seus costumes idiotas, esperando que meus medos, tornem-se realidade, e eu tenha que gritar, em silêncio.

(via malais3)

(via malais3)